#65 Terra seca
um eterno regar a planta
Você rega uma planta. Para mantê-la viva, você precisa se atentar aos horários que a planta precisa de água; precisa saber se ela gosta de ambientes abertos ou fechados; precisa saber se ela quer receber luz ou se o escurinho é o que a deixa em pé. Você rega uma planta, e a terra do vaso insiste em sugar toda a água, independente da quantidade de luz ou de qual lugar da casa a planta está. A terra volta a secar. Logo, você sempre precisa regar a planta. Menos quando ela é falsa. Plantas artificiais não precisam de água nenhuma.
…(a saudade que eu estava de falar por metáforas).
Tenho vivido dias de muita mão no regador.
Coloco água. E mais água. E ainda mais água. A planta segue viva, florescendo, mas sempre tão cheia de sede. Ainda por cima, no fim, a terra sempre insiste em ficar sequinha.
Você acha que sabe o que a planta quer. Pensa que a conhece tanto que sabe exatamente o horário certo dela pegar luz (nas primeiras horas da manhã). Depois, a deixa longe da janela, mas ainda no caminho da brisa que entra e passeia pela casa. Mesmo assim, por vezes, ela murcha. Mas não é que ela não esteja apta a dar flores. É que talvez ela precise de brisas mais fortes, raios solares menos intensos, água mais vezes ao dia, mas só por um período. Daqui há pouco o que ela precisa mesmo é de mais tempo ao sol. Ou na chuva. Ou em outro lugar da casa.
…(pra não dizer que eu não falei das flores… mas não é bem sobre flores).
Talvez seja clichê falar que o vazio faz parte da estrutura humana que nos pertence. Não importa quanta água colocamos no nosso vasinho de plantas, a terra, em algum momento, vai secar. E tudo bem. Uma das maiores belezas da vida é fazer as pazes com esse tal vazio e se acostumar com a presença dele. Vez ou outra usá-lo como estímulo para uma mudança, para se permitir acreditar e batalhar por dias melhores, ou como encorajamento para se colocar vulnerável e pedir acolhimento. Também faz parte se incomodar com a presença dele. Questioná-lo. Tentar expulsá-lo. Conseguir momentaneamente. Mas ter a consciência de que testemunhar a terra ficar seca novamente, de novo e de novo, é sinônimo de estar vivo.
Do outro lado do muro 🫀
Assisti à oficina da Aline Valek ao vivo, mas ainda fui no youtube reassistir porque as palavras dela são valiosas demais:
Sempre me identificando com a forma da Fabiane Guimarães de encarar o processo criativo:
Tem mulheres que dançam com as palavras… os textos da Mariana Moro sempre me pegam demais:
Carolina Ruhman Sandler já disse tudo:
Bárbara Bom Angelo sem dúvidas é a mulher que mais me inspira atualmente a seguir escrevendo/estudando e me arriscando em novas frentes:








que querida! muito muito obrigada por indicar <3 por aqui, minhas plantas metafóricas também andam cheias de sede, ainda tô aprendendo a regá-las
regar as plantas. taí uma atividade (real ou metafórica) que parece simples, mas exige muita compreensão da vida para saber a dose certa.